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Ícones

Uma bolsa em 2002. Um pódio olímpico em 2008.

O Programa de Incentivo ao Esporte e o primeiro medalhista olímpico da casa começaram no mesmo ano

12/08/2026 · 4 min

Sandro Rodrigues Viana nasceu em 26 de março de 1977, na Santa Casa de Misericórdia de Manaus, e cresceu no bairro Dom Pedro. A mãe trabalhava como camelô. Ele vendia mingau nas ruas do centro para ajudar em casa.

Aprendeu a ler aos três anos e era aluno excelente, mas nunca conseguiu prestar vestibular por falta de recursos. Começou a correr aos 24 anos, treinando ao lado de crianças — uma anomalia estatística numa modalidade de amadurecimento precoce.

Em 2002, recebeu uma bolsa concedida pessoalmente pelo professor Nilton Lins para cursar Economia. Era exatamente o ano de criação do Programa de Incentivo ao Esporte. Em 2005, para custear a mudança da base de treinos para São Paulo, a família vendeu móveis da própria casa.

O palmarés internacional que veio depois é maior do que qualquer registro institucional indicava: ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2007 e 2011, bicampeão sul-americano em 2007, campeão ibero-americano em 2008, quarto lugar no Mundial de Osaka.

Em Pequim 2008, a equipe brasileira do revezamento 4x100 m cruzou a linha em quarto lugar. Com a desclassificação por doping do jamaicano Nesta Carter, confirmada pelo Tribunal Arbitral do Esporte, o Brasil herdou o bronze — e a medalha só foi entregue onze anos depois, em 2019.

"Eu acordava quatro horas da manhã para ir ao Distrito e chegava todo dia na faculdade com uma hora de atraso por conta dos treinos. O professor nem olhava na minha cara."

A frase descreve exatamente o problema que o Programa existe para resolver: o conflito entre a rotina de alto rendimento e a frequência acadêmica. Sandro Viana viveu esse conflito antes de existir uma política institucional para mediá-lo.

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