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A tecnologia amazonense que dá autonomia a velocistas cegos

Três patentes, mais de R$ 540 mil do CNPq, onze instituições parceiras e uma atleta cega estudando no mesmo campus

07/08/2026 · 3 min

O **Projeto Meu Guia** é desenvolvido na Universidade Nilton Lins **desde 2012**, sob coordenação da professora **Ana Carolina Oliveira Lima**, da Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão e diretora do **Cicari — Centro de Inovação em Controle e Automação em Robótica Industrial**.

## O problema, medido em 245 vídeos

A origem do projeto é um levantamento. A análise de **245 vídeos de competições oficiais dos Jogos Paralímpicos** apontou **40% de probabilidade de queda** de um atleta cego correndo ao lado de um guia humano.

O caso mais conhecido é o do brasileiro **Felipe Gomes**, que perdeu a medalha de ouro dos 400 metros por um problema com o guia no **Mundial Paralímpico de Atletismo do Catar, em outubro de 2015**.

## A vestimenta

A solução é uma vestimenta inteligente equipada com **acelerômetro, giroscópio, GPS e comunicação ZigBee**, capaz de orientar o velocista cego sem a presença do guia.

Os sensores monitoram em tempo real a postura, a velocidade e a biomecânica do movimento. O atleta recebe orientações espaciais sem depender da sincronia de passadas com um parceiro vidente.

Os custos estimados são de **R$ 1,5 mil por vestimenta** e **R$ 4,5 mil por sistema instalado em pista**, para até oito atletas simultâneos. O sistema foi testado por **quatro atletas cegos em Manaus**, entre eles **Adalto Belli**.

## Financiamento, patentes e rede

O projeto recebeu **mais de R$ 540 mil do CNPq** em duas chamadas públicas: **R$ 366,5 mil na Chamada nº 84, de 2013**, e **R$ 174,4 mil na Chamada nº 20, de 2016**. São **três patentes** registradas ou depositadas.

A rede reúne **onze instituições**, entre elas UFAM, UEA, IFAM, IFMA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Unicamp, UFCG, UFPel e a **Universidade do Minho**, em Portugal.

## O reconhecimento, com a ressalva

Em **2015**, o projeto **venceu o Prêmio Santander**, com aporte de **R$ 100 mil**.

Em **2017**, foi **finalista do Sports Technology Awards**, na categoria de melhor inovação em vestimenta, com resultado anunciado em **4 de maio, em Londres**. Convém o registro exato: foi finalista, não vencedor. Material institucional já circulou dizendo "premiado em Londres" — não é o que as fontes sustentam.

## Ciência e atleta no mesmo campus

A pesquisa convive com o público que ela endereça. **Josimara Michiles**, da classe T12, compete com **5% da visão** e cursa **Jornalismo** na mesma universidade.

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